As feias que me perdoem…

Tá, mas não tem um dia em que você acorda e se acha a mais feia das criaturas? Mas também tem aquele dia em que acordamos nos sentindo especialmente bonitas, de bem com a gente e mais vivas do que nunca. A auto estima faz milagres pela gente, pelo nosso humor e pelos que estão à nossa volta.

Mas e como vai sua auto estima?

Você se valoriza, sabe seus pontos fortes, aquela roupa que te deixa mais bonita, sabe se maquiar para atenuar pequenos defeitos e ressaltar sua beleza? Sim, todo mundo tem algum tipo de beleza e parece belo aos olhos de alguém. Mesmo que para os seus não seja.

Demorei para entender isso, pois a cada dia mais tem sido difícil viver em meio aos padrões de beleza impostos pela mídia atualmente e que são tidos como os “certos” pela sociedade. Eu já estive meio baixo astral por isso, mas tem gente que vai mais além e chega a ficar doente, levando a casos de depressão e até mesmo suicídio. Não é exagero, isso realmente acontece.

Esse lance de “fulano é feio” é muito  complexo. E não sou hipócrita, eu acho muita coisa feia. E referente aos padrões estéticos também. Mas não a ponto de ofender alguém, de tirar-lhe o sorriso ou a alaegria de viver. O que eu acho feio, acho pra mim e ponto. No máximo se comenta com uma amiga e tal, mas debochar em público, ofender gratuitamente, isso não.

Confesso que já fui mais obcecada pela aparência, mas pouca gente sabe, que aos 14 anos quando ouvi na rua “Essa não toma Coscarque” (quem é do sul entende e pra quem não entende o porque da frase assiste aqui) , fiquei doente, a ponto de  meus pais só perceberem quando emagreci 14 kg em um mês e todo mundo ver que eu estava mal. Me senti tão machucada, tão inferior , que eu pesava 58kg na época e cheguei aos 44. Vestia roupa branca dos pés à cabeça para parecer um pouco mais cheinha em casa e não me xingarem. Isso durou mais uns dois anos, mas eu mantive o peso, oscilando entre 42 e 47kg. Só depois que comecei a sair de noite, espairecer  e trabalhar que fui ganhando mas peso e depois, do peso saudável, ao excesso que tenho hoje.

Sei que nenhum dos extremos é saudável, caso contrário, eu não estaria tentando emagrecer. Mas desta vez com consciência, preocupada com a saúde durante a perda de peso e com o que eu estou comendo. Mas não vai ser uns quilos a mais que vão me impedir de viver bem, nem uma cicatriz aqui e outras lá não sei onde.

Que não seja um nariz adunco, um lábio mais fino, uma perna mais grossa ou curta, um pneu a mais ou a menos na cintura, um cabelo mais ou menos enrolado, que tirem teu sorriso do rosto.

Olha em ti, pode acreditar que tem algo muito bonito que você vai poder ressaltar e não é conversa fiada!

Ou você acredita  em “As feias que me perdoem, mas beleza é fundamental”?

A frase de Vinícius de Moraes é antiga, mas cada vez que leio notícias ou vejo fotos na internet, sinto que esta frase é a mais pensada ou implícita em todos os cantos.

Você está de bem consigo? 

Beijo.