Éramos 5. Hoje somos 3.

Este post não é de tristeza, mas sim de reflexão.Como sabem, meu pai esteve doente por um ano e dois meses e entre idas e vindas de hospital, aconteceu que quinta, dia 30/07, ele veio a falecer, em casa, aos 60 anos. Era a última referência da infância que eu tinha. Minha mãe partiu já há 3 anos e eu ainda podia me sentir um pouco criança com aquele frágil senhor que agora eu que trocava as fraldas, junto aos meus irmãos.

Demos comida na boca, remédios e tudo o que foi necessário. Mas ele cumpriu seu ciclo e 3 anos e 6 dias depois que perdi minha mãe, ele se foi. Talvez tenha apenas esperado os 3 anos necessários para poder abrir o túmulo e colocar ele junto de minha mãe. Isso só Deus pode explicar, foge ao meu entendimento.

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Enquanto temos pais participativos, que nos atendem bem em nossas necessidades, mesmo que não precisemos deles de  fato para mais nada material, sabemos que temos um consolo, um local seguro, uma coisa que eu nem sei explicar. Sim, eu sei que nem todos os pais são bons, conheço histórias de arrepiar de famílias por aí. Graças a Deus não é o caso dos meus pais. Foram sempre rígidos, mas nos criaram para o mundo. Não nos deram o peixe, mas ensinaram a pescar. Talvez soubessem que partiriam cedo, por isso resolveram nos ensinar a andar sozinhos.

Ao me despedir de ambos, disse a mesma frase: ” Pode dormir tranquilo e descansado, que ficaremos bem. Nós sabemos nos cuidar e um dia nos encontraremos”.

E  fico pensando que há 3 anos, éramos 5 (meus pais, eu e dois irmãos). Hoje somos apenas 3. Vou dizer que se eu pudesse, faria tudo outra vez. Valeu ter deixado o blog capenga, ter final de semana livre apenas a cada 15 dias, chegar em casa depois de um dia de trabalho e seguir trabalhando, fazer tudo o que fizemos. Eu e meus irmãos fomos incansáveis nos cuidados para dar um final digno ao meu pai. E ele faleceu pertto de nós, como era seu desejo.

E  confesso que não sinto tristeza. Estou com saudades só, porque a consciência tranquila não me deixa sentir tristeza. Os médicos fizeram o que puderam e nós também. Mas Deus sabe a nossa hora.

Bem, a partir de agora, o blog volta ao seu ritmo normal de postagens, volto a participar de eventos e afins. Vida que segue, e eu sigo com meu blog, que foi ideia da minha mãe.

Lá do céu, agora os dos me olham e me cuidam!

Um  beijo,

Pri Von Mühlen

14 comentários Comentar via blog

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  1. leticia

    Chorei mto com a sua postagem, que Deus traga consolo para vc e sua família e parabéns pelo amor e carinho com seus pais.

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    1. Obrigada, Le! Beijos

  2. Rebeca

    Não posso dizer nada Pri. Não conheço essa dor. Deixo apenas o desejo sincero de que Deus, em sua bondade e misericórdia infinitos, venha guardar a todos e trazer conforto. Receba meu carinho. Um beijo

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    1. Obrigada pelo carinho, Rebeca. Um grande beijo.

  3. E pelo seu relato vejo que te acompanho há pouco mais de 3 anos… posso até não comentar, mas estou sempre por aqui lendo 😉 É vida que segue… força e luz pra você e seus irmãos! :*

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    1. Oi Li, que bacana te ter há tempos por aqui! Obrigada pelo carinho! Beijoca

  4. Carla Campos

    Oh Pri, lembro-me da tua luta para conseguir internação para tua mãe. Que bom que estás conseguindo lidar com serenidade com este momento. Que Deus te mantenha forte, guerreira, és exemplo pra todas tuas leitoras. Um abraço carinhoso da sua leitora aqui de Cachoeirinha.

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    1. Estou sendo o mais serena quer posso, Carla. Confesso que tem horas que dá um aperto no coração, pois é meio desesperador ficar sem pai e sem mãe, mas eu tenho que seguir em frente. Um beijo enorme!

  5. Dri

    Muita força e fé em Deus nessa hora! E não se esqueça que estamos aqui e amamos você e o shampoo! beijos!

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    1. Oin que linda! Beijocas

  6. Juliana

    Nem sei o que dizer Pri. Estou em lágrimas. Mas mais uma vez admiro muito a tua força e o teu modo de encarar as coisas. Que ótimo seria se todas as pessoas conseguissem ser assim. Parabéns! E tenho certeza que tu fez muito mais do que podia pelos dois!

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    1. OI Ju, eu só tenho a opção de aceitar e seguir em frente. Chorar não vai trazer meu pai de volta, e sim, como disseste, eu fiz tudo e mais um pouco pelos dois. Um beijo grande.

  7. daniele alves seade

    Obrigada por compartilhar essa reflexão. Estou passando pelo mesmo com minha mãe, tres irmaos se revezando nos cuidados e destinando toda dedicação a ela. Pode ser que a despedida dela não esteja longe, mas vou ter a consciência tranquila de que tudo que podia, eu fiz para dar mais qualidade de vida a ela. Meu pai faleceu há sete anos… Um beijo e muita luz pra vcs.

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    1. Oi Dani, faça tudo o que puder, pois depois quando ela partir, terás a bênção que estou tendo, que é a paz na consciência. Desejo saúde pra sua mãe e luz para seu pai no céu. Força pra ti e teus irmãos. Um beijo enorme.

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