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Diário de uma balzaquiana- Parte 1: Trabalho

Post por em Desejos

Vou começar a escrever toda a semana sobre um tema para as mulheres, que como eu, chegam na casa dos 30 aos 40 anos e se sentem meio estranhas no meio de tanta informação e tantos padrões impostos pela sociedade. Seja no mercado de trabalho, no amor, no peso, na convivência familiar e muito mais. Vai ter uma tag, então quem quiser buscar pelos posts sobre a nossa vida de “balzaca”, pesquisa aí no blog e vai se divertindo comigo e vivendo nesse mundo doido.

Tenho lido bastante sobre carreira e feito planos para o meu futuro. Aos 34 anos de idade, não posso ou não devo me dar ao luxo de fazer escolhas mal feitas. Tenho me permitido mudar de trabalho quando não estou satisfeita em um, embora até fique apertada financeiramente no início. Mas eu preciso ganhar o suficiente para me manter e ficar presa em um lugar só porque dá status ou porque tenho apego pelo comodismo de ficar ali no lugar de sempre, não me permito mais.

Também vejo todo mundo sendo cobrado, afinal tem que ter mais de uma faculdade, mestrado, pós e afins, falar 3 ou 4 idiomas e ter o passaporte carimbado com cursos no exterior. Até acho bacana, mas não é a minha realidade e eu não posso enlouquecer por isso. Diploma eu queria, não posso negar, de engenharia química. É minha área, no que eu trabalho, mas ainda está distante. Mas também penso que diploma não é garantia de emprego e nem de bom salário. Mas que ajuda, isso é fato.

Há a cobrança de um salário de 4 dígitos pra começar e um de cinco dígitos para se iniciar na vida dos  que “ganham bem”. Mas como que você não ganha mais de 6 mil reais? Com menos do que isso não tem como viver! Parece doido, mas sim, eu já ouvi isso. E de gente que talvez não ganhasse os tais seis mil, mas queria parecer que ganhava. Só que essa pessoa  esqueceu que há milhares de mulheres na casa dos 30 que sustentam famílias com o salário mínimo ou pouco mais que isso. E não é errado ganhar menos. O errado é ganhar pouco para sua função. O salário tem de ser, no mínimo, compatível, pra que haja interesse e vontade de trabalhar. Mas você não  TEM QUE nada. A vida não é um livro de receitas.

Vejo mulheres sendo deixadas de lado no mercado de trabalho porque são mães ou ainda não são, mas estão em idade reprodutiva.Vejo mulheres sendo descartadas nas vagas de entrevista de emprego porque são bonitas demais ou porque são bonitas de menos. Se tiver sobrepeso ou for gorda, isso aumenta ainda mais. Infelizmente, depois dos 30, passam a olhar não só nosso currículo, mas nos julgam pelas nossas escolhas pessoais e por nosso tipo físico.

O mercado está mudando e com o passar do tempo e a chegada de mais mulheres em cargos de chefia, eu acredito que ocorra  a mudança de pensamento das empresas, pois não somos menos que nenhum homem. Acredito em igualdade. Precisamos de mais empatia do mercado de trabalho, que nos avaliem por competência para o cargo que almejamos e não por nossa aparência e número de filhos.